6.07.2012
Sonhos, pt VIII
Tenho medo do que escrevo porque me substanciam ao desespero. Desperto, insólito, após um sonho estranho de vergonhas e destinos cruzados. Quem era aquele que eu tomei durante a noite?
Lembro-me do seu calor e da sua falta de pudor. Recordo-me do atrito. Não era aquele que eu perdi, era outro. Outro que meus Basanos não me afirmaram ainda quem possa ser. Fechei-me aos olhos da corrupção emocional, desde a última e quero que seja assim. Amor com amor se vende, se troca com dedicação, mescla-se à emoção mas não sobrevive sem perseguições.
Formas e palavras vem e vão, intactas. Minha mente se conforta em lembrar não em sentir. Beber de ti como um sifão.
Ora a chuva cai ora permanece somente em mim, meu coraçãozinho negro e morto se exaspera. Sinto um suave cheiro de mudanças que estão para acontecer.
Dos meus sonhos nada trago a não ser a dor de ter de acordar.
6.05.2012
Perdas: E o que me deixou para trás
Vou precisar falar. Vou precisar morrer. Vou ter de renascer para esquecer parte da dor que me aflige, que me desencoraja, que me apetece à meticulosidade da criação de um veneno bárbaro para dar fim a esta imortalidade imcompleta.
Eu o perdi.
Perderia mais cedo ou mais tarde mas não estava pronto. Não sei agora como prosseguir, não sei como viver, não saberei desfazer os planos que já havera feito.
Definharei por sobre minha morada e Nove vezes Nove eu chamarei seu nome ainda enquanto durmo e acordarei durante a noite assustado por não estarmos mais unidos. Teu cheiro, tua pele, teu contato. Tudo o que você era, atrelado a mim, unindo dois. Toda a conversa sobre amor duradouro não passou de mentiras.
Ou talvez o amor permaneça mas amor precisa de amor para se alimentar e isso, não vejo acontecer. Aquele que despreza perde, em dobro por se tratar de mim. Perdi para si e perde para os outros, que não chegarão nunca mais.
Fechei-me para amores, para grandes novos amores. Basta perder algo tão recente para se flagelar de forma tão intensa a ponto de ferir a alma, que desfalece, em carne maculada viva e sangrante, aguardando mais uma ânfora de água salgada a ser derramada sobre o corpo frágil do atormentado.
Oro pela minha sanidade, que já quase está a me deixar. Oro para deuses-irmãos que desconheço. Não vejo uma promessa de retorno - ou de vida - e vejo apenas um consolo a me deleitar nas palavras de Walt Whitman. Temi meu corpo. Temi meu coração. Afugentei meus medos para poder estar com você. Não me calcei de certezas e desfiz a maior parte do que chamava sobriedade e meu retorno foi mais medo. Não medo meu. Abasteço-me de Péricles agora "pois, ao me enganar uma vez deveria sentir-se envergonhado. Porém, ao me enganar duas vezes, devo me reduzir em meu erro".
Agora ouço vozes que me induzem ao desespero, o sorriso foge-me ao rosto, constantemente brotam lágrimas que sou obrigado a beber para que não vejam o sangue que as acomoda.
Ele era algo que eu estava começando a amar de verdade e perdi. Perdi-o de mim e para mim mesmo, agora não há volta. Ele me perdeu e não terá outro como eu, jamais. Eu nunca terei outro, outra, alguém, algo. A cada dia tenho mais certeza da Troca Equivalente pois nunca uma hora viu tão longo sofrimento quanto ao começar a perder tudo o que amo, no menor prazo e sem motivo derradeiro. Torno-me algo que perde a sanidade quando menos espera, o mundo gira e permanece o mesmo, minha mente se esvai de mim e sobre um certo desconforto emocional pela memória.
Porque me abandonou? Porque me deixou à margem? Porque colocou palavras em minhas presas?
...
Sinto tua falta.
5.28.2012
Dois pares de asas contra os meus Trinta e Seis
E depois do falado, caem por Terra os sentimentos.
Haviam dois deles, com um par de asas cada, em lados opostos, com uma jovem dama ao centro. Eles se amavam, os extremos, e pareciam depender disso para respirar.
Me arrefeci em ciúmes e optei por deixar este caminho desempedido. Liberto-o, para que seus novos futuros amores possam persegui-lo como eu fiz. Mas, contando com as palavras do meu grande amante, Ernesto Cardenal "Pero a ti, no te amarán, como te amaba yo".
Fugaz, lembro-me de um HaiCai:
Para fugir da claridade,
o Vagalume
se esconde na Lua.
Para onde fugirei eu?
5.23.2012
Dos amores fatídicos
forsaken by
Lean, do sorriso aparente
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Assim como Hades sequestrou Perséfone pela grandeza do seu amor, pretendo sequestrá-lo pra mim. Trazê-lo à parte do meu mundo, torná-lo algo que seja meu - incondicionalmente.
Minha vontade de você é tamanha que chega comprime: Comprime meu coração, meus olhos, meu sexo e minhas imagens. Me faz subir vários lances de escadas - erradas - e pelo Destino encontro-o.
Assusto-o, falo parte do que preciso e sinto seu cheiro. E que cheiro! Na mesma hora vi Leandro e Hero apaixonados a se jogarem de Abidos e Sestos por conta do amor um pelo outro.
Conheço seu segredo e desconhecia minha necessidade de você até vê-lo sorrindo para mim. É obsessão, amor, paixão, insanidade emocional, carma... Não sei. Eu PRECISO de você. Preciso mais do que precisei de algum outro e não sei porquê.
Tento chamar sua atenção mas ela é disputada, resolvo por deixar acontecer naturalmente. Insinuou-se que posso estar sufocando-o, não sei. No meu tempo, ou você resolvia a moça e oferecia um compromisso ou corria o risco de perdê-la para outro - o que não posso admitir. Mataria por, Morreria por. Falta-me o oxigênio, fico envergonhado quando o vejo, fujo, mantenho minhas conversas por meios virtuais não sei porquê. Me sinto um humano jovem novamente, temendo o amor e, me conhecendo, temendo expor seu segredo.
Hades não deu opção à Perséfone, eu estou dando a você. Vejamos o que escolhe.
O fato é que estranhamente, eu passo a querê-lo cada dia mais...
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