6.15.2013

Ég anda - Sigur Rós


Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces. Henry David Thoreau



6.12.2013

Fatídico Dia dos Namorados com arco-íris e guloseimas que me deixam doente e tenso - Prevejo que eu vejo através de seus olhos



É como aquele momento em que você olha no meio de uma multidão controlada, sem a suspeita de que olharia portanto para o coração do seu próximo amor indelével e que, ao mesmo tempo ele o olha e os corações de ambos disparam, clamando um pelo outro ainda desconhecido, com o potencial de uma bomba nuclear de arco-íris e maçã-do-amor.

Um corre em direção ao outro, afastando os olhares curiosos dos presentes e estimulando suas melhores palavras enquanto reverberam como começar um assunto com alguém que a alma identifica como gêmea mas que sequer ouviu a voz um do outro a não ser em sonho. Um de cá, outro de lá, parecendo que o mundo está se alargando e as proporções aumentando a cada passada.

Tudo vem à cabeça: cachorro, árvore, pássaros, tapa-olho, abóbora, cetim, amarelo, melão. Foge somente o que realmente precisa ser dito. Aquele momento perfeito em que as superficialidades não existem e que um sorriso ilumina um universo. Correria, excitação e resfolegar - ao mesmo tempo e misturado.
Parece que a distância nunca termina! Mas, termina.

Logo estão um nos braços do outro, sorrindo e se encarando, observando cada detalhe, reconhecendo a si mesmo n'outro, aroma, cor, sabor, afeto, gesto. Não há palavras que possam contê-los, não há olhar. Então, beijos e carícias são trocadas ignorando qualquer transeunte que se incomode com aquela cena, aceitando o mundo e para com o mundo abster-se de rótulos, condescendência ou preconceito. Apenas a concepção de estão se reencontrando depois de uma longa espera, cientes de que um pertence ao outro e que tem sido assim há muito tempo, uma comprovação de que nossos maiores amores nos perseguem mesmo em outras vidas.

Reconhecidos, continuam sua ardente emoção e partem para tomar um café na cafeteria mais próxima: um cappuccino sem açúcar e uma frozen de café com cereja e chantilly.




This angel's dirty face is sore, holding on to what he had before.
Not sharing secrets with any old fool, now he's gonna keep him cool.
He wants to get naked,
He wants to get naked.

Naked
Nothing but a smile upon his face.
Naked
He wants to play seek and hide, no one to hide behind.
Naked
This child has fallen from grace.
Naked
Don't be afraid to stare he is only naked.
...



Vinho; e a estranha sensação de que não há verdade numa taça e sim hedonisno


Houve um sonho recentemente que envolvia estranhos sentimentos. Perturbados até eu diria. Confesso que a confusão deriva-se da necessidade de consumar algo que ainda não fora, mas que, simultaneamente, sabemos que não devemos. Após uma conversa breve, eis que a permissão para contá-lo havia sido dada. Talvez não o desenhe mais com tanta exatidão, ater-me-ei aos fatos mais interessantes.

Era começo de noite, mas, com uma certa cor crepuscular pareando com o horizonte. Algo belo de se ver, que costumamos esnobar por ser tão efêmero. Havia uma enorme janela colonial de vidros delicados, por onde Nix era aguardada e observada. Do lado de fora, um enorme ipê-roxo exalando seu aroma inebriantemente tóxico, uma relva baixa e um pequeno lago ao fundo. Uma típica casa semelhante àquelas do interior dos países bascos, mas, pela flora identificado como não pertencente aquele local. No interior, móveis singelos, de madeira clara e cheirando a chá de condoendro. Notas músicas saiam pensativas e envergonhadas do aparelho de som, Ingrid Kertesi - a soprando - cantando Händel de forma divina. Sob a janela, no interior, dois homens conversavam, enquanto jogados na cama de lençóis vermelhos e, aparentemente, nus em pelo.

Havia uma intimidade palpável entre eles - não só pela questão de estarem nus, não - que chegava a impressionar. Eles eram amantes mas acima de tudo, amigos. Notava-se pela forma carinhosa que um falava com o outro e como um olhava para o outro. Eram ligados por mais do que apetite e isso era evidente. Após uma pequena afirmação que fez os dois gargalharem, um deles levantou-se da cama e, ainda nu, dirigiu-se até uma pequena mesa marmorizada que havia em um canto, tomando duas taças altas rubras e uma pequena ânfora, encaminhando-se de volta à cama e servindo-os então de vinho, que o outro acabou tomando. Poucos goles e ambos colocaram suas taças no chão, paralelo à cama e então, o que havia permanecido deitado aninhou-se no peito do que havia levantado.

Então a noite caiu por vez toda, cobrindo aquelas terras com seu manto e sua proteção. Não que eles precisassem, mas, deveras belo de se acompanhar.

Após um breve sono, o que estava aninhado deitou um beijo no peito do outro, despertando-o com sua delicadeza. O outro acordou sorrindo e retribuiu o beijo, elevando sua cabeça até sua altura, na cama. Da forma como os amantes fazem, os beijos delicados deram lugar a algo mais sensual, caótico, desesperado e num frenesi inconstante de lábios, línguas e mãos. Logo, o primeiro estava por sobre o corpo do outro, enquanto suas mãos abriam caminho para sua boca, no corpo alheio. Percorrendo cada espaço conhecido e desconhecido, cada pequena dimensão, lascivamente saboreando aquela carne e deliciando-se com aquele cheiro.

Com o limiar da tentação sendo alcançado, o primeiro então colocou o segundo numa posição confortável na cama, deitado com seu dorso apoiado em sua mão, espalmado bem acima do cóccix e o admirava por cima. Admirava seus olhos desejosos, sua boca delineada, sua pequena interrogação marcada no peito. Delicadamente pressionando sua intimidade com a própria e sentindo então a pulsação que deriva de corpos apaixonados. Tomado por aquela necessidade de consumir (então descrita anteriormente), ele suavemente ajeitou seu parceiro, apoiando bem sua sinistra espalmada e com a destra, tateando a coxa rija e exercendo sobre ela uma pressão para ajustá-la à sua recepção tranquila.

Naquela posição, inicialmente, o outro fora possuído, olhos nos olhos. Altercando calma e severidade, gemidos, risos abafados, pedidos, suor e saliva. Então, outras posições foram adotadas e em todas, a intensidade estava presente. Longos momentos se passaram até que, como que magicamente, ambos chegaram juntos ao ápice do prazer e misturaram suas essências. Com menos agitação, postaram-se um ao lado do outro e então sorriram, como se esperassem por aquele momento já há algum tempo. Tomaram mais de suas taças e se preparam para a longa noite que ainda estava por vir.

Provavelmente, esqueci-me de algum fato. Essencialmente, o que me recordo era isso. Talvez pela minha inconstância insone eu não tenha o aproveitado mais e agora me arrependo. Teria sido válido retomar o sonho, lógico. Quisera eu poder fazê-lo. Contei os fatos como me recordava, mesmo tendo sido uma narrativa breve que deixo agora, portanto, à sua avaliação.



6.11.2013

Fortunas que percorrem o espaço


Eu respiro afortunadamente.

Eu via o Céu estrelado,
Via a noite, os pássaros noturnos,
Via até a grande minguante Lua estirada entre as nuvens.
Eu podia ver muitas nebulosas, planetas,
Dimensões.
Podia ver o que eu queria e
Eventualmente,
Eles podiam me ver.
Talvez o que mais me impressionava era justamente a ausência de
Tristeza enquanto eu observava os corpos celestes que,
Com sua presença magistral,
Tornavam meu mundo um pouco mais habitado.

Calei-me quando um risco varou o espaço de ponta a ponta.
Algo que se desmembrava do cosmos,
E, até então,
Eu não entendia o porquê.

Quando aquela luz veio em minha direção,
E me aqueceu por cerca de meio segundo,
Eu entendi o que não havia descoberto!

Havia um mundo dentro do mundo,
Coberto de paz e tranquilidade e
Aquele ser,
Havia cruzado o universo para me mostrar isso.




Não existia apenas o amor então.