5.25.2011

Juri

"... e o júri ainda não havia se decidido sobre o veredicto ..."

Me sinto consternado, preciso escrever e não sei por onde começar. Perco-me em idades aleatórias sem um fundamento. Não consigo distinguir entre um azul e um cinza, não há conforto sequer humano que pudesse aplacar, agora, o que antevejo.



Encontro-me palpavelmente lacerado, incumbido ainda de cuidar de minhas próprias feridas e desamores internos. Em alguns momentos enfrento demonios em outros os evoco, peco em acreditar na fragilidade alheia, me corrompo por pouco e vejo ressoantes pesares - Nada mais indigno do que já tenho, seria inconcebível.
Não haveria palavra certa que fosse mais escura do que o sangue que se esvai, agora. Nenhuma prece alçaria maior altura do que o aroma desta infelicidade imersa em soberba indeclarada. Caso houvesse ainda luz ela seria uma mescla de melancolia em desejo e feitiçaria. 
Não há uma composição.

E de falar no que não há, esqueço do que carrego. Em vermelho, com cheiro de mil mortes puras e dez mil impuras, moldado em inverdades e vidas contrabandeadas por eras. No dia que puder ser compensado, bom, ai quando a decisão for tomada já me darei por inexistente pois serão mil mortes a responder e este peso eu não suportarei, peso contínuo até este mesmo dia. Declara-me-ei inocente, faço o que faço (e sou acusado) para continuar a existir e se é explicado assim poderei ser absolvido por eles, sabendo que nunca o serei por mim já que cada um destes ainda vive em mim. 

Comigo, sendo eu e mutando dentro de mim. Cem mil cofres com um milhão de segredos abertos, não há nada que eu não possa ver se quiser. E aprender. Eu já citei que aprendo com o poeta, o músico, o escritor, o sábio, o mendigo, o incoerente, o especialista e é assim em toda espécie de conhecimento possível. O que ofereço em troca? Meus lamentos, como faço agora. Se houvesse uma Lei real de Troca Equivalente eu seria punido. Tomo tudo e ofereço meu tudo, que não lhes vale nada.

Bom, mas quem está atrás de julgamentos nos dias de hoje, não é mesmo?


Um comentário:

Jane C. disse...

Lerei com a devida atenção logo mais(no momento,o sono me impede).Por ora,deixo-te meu abraço e todo o meu carinho e amor.
BJSSS